domingo, 4 de agosto de 2013

Tempos Modernos

O primeiro post desta semana que se avizinha será feito excepcionalmente hoje, domingo, porque não terei hipóteses de o fazer amanhã.

Uma coisa muito folkiana é 'roubar' canções ou formas de tocar aos que vieram antes. Como disse o Ramblin' Jack Elliott aproposito de um disco de que falarei na sexta-feira: "Dylan learned from me the same way I learned from Woody [Guthrie]. Woody didn't teach me. He just said, 'If you want to learn something, just steal it—that's the way I learned from Lead Belly". E assim, de geração em geração, há músicas que vão sendo tocadas e reinventadas para uma nova geração. 

É o caso desta "Inquietação", originalmente escrita pelo José Mário Branco para o disco Ser Solid(t)ário (1982) e mais tarde versionada, por exemplo, pelo JP Simões para o seu disco 1970 (de 2007).

Ora vejam aqui o original:

E aquela que foi a primeira versão que ouvi da música, a do JP Simões:

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Creedence Clearwater Revival

E para terminar estas semanas de viagem a sugestão de hoje vai para os Creedence Clearwater Revival. Por alguma razão tenho esta ideia de que são uma banda incrivelmente consensual. Quer sejamos indies, metaleiros, gostemos de música pimba ou de música clássica, acho que dificilmente não gostamos desta banda. Terá que ver com o facto de muitas destas canções serem clássicos intemporais do rock que todos nós nos lembramos de ter ouvido em alguma altura da nossa vida. E são fantásticos para ouvir enquanto se vai a guiar.




segunda-feira, 29 de julho de 2013

Nebraska

Para hoje fica o muito recomendável Nebraska (1982) do Bruce Springsteen. Um álbum sobre viagens por excelência. Viagens que quase sempre soam a uma viagem forçada por circunstâncias da vida.
Como é difícil destacar uma música, destaco duas, ainda que ache que o disco funciona melhor como um todo.



Curiosidade: Foi por este álbum que comecei a ouvir o Springteen. Até então não percebia porque era idolatrado nos EUA. E foi uma grande surpresa. Depois a confirmação veio com o Born to Run (1975) e a afirmação como um dos meus compositores americanos favoritos veio com aquele que é talvez o meu disco preferido dele actualmente, The Wild the Innocent & the E-Street Shuffle (1973). Infelizmente perdi a sua recente actuação em Lisboa, tal como tinha perdido o Bob Dylan e o Neil Young, quase parece bruxaria.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Long May You Run

O Neil Young é uma das maiores referências da Folk americana, tem pelo menos uma mão cheia de álbuns fantásticos mas hoje, como estamos em semana conceptual, a recomendação é só para esta música (ele regressará mais tarde certamente). Ninguém como os americanos para se apegarem a um carro.


Curiosidade: a primeira vez que ouvi esta música foi quando o Neil Young a foi tocar no último programa do Conan O'Brien no Late Night Show. Um vídeo e uma versão que me encheram o coração e que queria partilhar mas que o vimeo não deixa sem ser em forma de link.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

1952 Vincent Black Lightning

Um dos temas mais cantados na música Folk é o da viagem. E como andarei 2 semanas em trabalho de campo, as próximas duas semanas serão dedicadas a este tema. E começamos pelos veículos.

A primeira é dedicada a uma mota, a Vincent Black Lightning e é da autoria do Richard Thompson. Ele que no final dos anos 60, iniciou carreira nos Fairport Convention, que já por aqui passaram, passou a uma carreira com a sua mulher nos anos 70 e finalmente seguiu a solo já nos anos 80. Esta música foi lançada já em 1991, em tempo de austeridade grunge.


Curiosidade: esta música foi recentemente cantada pelo Bob Dylan num concerto.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Contos Velhos, Rumos Novos


Eventualmente terão reparado que o título do blog tem agora uma imagem. A ideia era que houvesse uma referência a música portuguesa, e que melhor referência que o velho Zeca com um disco que poderia ter dado nome ao blog: Contos Velhos, Rumos Novos (1969). 
Mas a recomendação de hoje não é esse disco, nem uma música retirada desse disco, é sim a música Um homem novo veio da mata do disco Enquanto há força (1978). Uma música sobre Angola e de sonoridade africana, 8 anos antes do Paul Simon ter aliado a música ocidental à música africana no fantástico Graceland (1986).


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Son House

Como prometido (posts à segunda e sexta) cá estou eu com mais uma recomendação. Como andei a trabalhar ao sol e estou com um bronzeado à camponês que melhor referência para hoje que um dos mais conhecidos cantores de Blues? O Blues é claro é um estilo originado na comunidade afro-americana que trabalhava nos campos, mas a sua influência pode ser ouvida em muitos outros estilos actualmente, nomeadamente pela sua influência no rock. A minha recomendação de hoje é o Son House e deixo aqui duas das mais conhecidas músicas dele, Death Letter Blues e Grinnin' in Your Face.



Sobre esta última há um vídeo do Jack White (dos White Stripes) a dizer que esta é a música preferida dele de sempre. Diz ele: "It meant everything about rock and roll, it meant everything about expression, creativity and art. One man against the world in one song".

sábado, 13 de julho de 2013

Wolf Among Wolves

Tenho que pedir desculpa por esta ausência prolongada. Para que não volte a acontecer, e para que não venham aqui em vão, tentarei seguir um esquema de dois posts por semana, à segunda e sexta.

Desta vez a minha ausência deveu-se a trabalho de campo no qual tinha acesso restrito à internet. (isto de ter um blog sobre a música tradicional e não sair da cidade não faria sentido, não era?) E o que andei eu a fazer? Andei por terras do demo (assim baptizadas por Aquilino Ribeiro) em busca de:


Para quem possa não saber o Bonnie 'Prince' Billy (de nome Will Oldham) é um dos meu cantautores americanos favoritos da nova geração de folkianos. Nos últimos vinte anos lançou uma média que deve rondar a de um disco por ano. Tanta produtividade dificulta a vida ao ouvinte que quer escolher o que ouvir. Mas é para isso que eu cá estou. Esta música é retirada do álbum Master And Everyone (2003) que, não sendo o melhor (vêm à cabeça o I See A Darkness (1999) e Viva Last Blues (1995)), é um disco que aconselho vivamente e que provavelmente será 'mais fácil' de ouvir que os dois anteriores.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Come All Ye

Depois de feitas as apresentações do título e tema deste blogue está na altura de mais apresentações. Não me debruçarei apenas sobre aquela ideia que algumas pessoas têm de música Folk de um gajo (ou gaja, não queremos descriminações) sozinho com a sua guitarra. Nós aqui temos cantores, guitarristas, bateristas, baixistas, violinistas, acordeonistas, pianistas, o que for. Todos têm o seu lugar e servir-me-ei de todos eles. E como tal, deixo aqui as apresentações em forma de uma canção que deveria figurar como primeira de qualquer set list de um concerto de música tradicional que se preze:




«Our fiddler, he just loves to play
And that's why he plays so good
And now he plays a violin
Made out of solid wood
(...)
Sound of beating on the drum
Song behind you'll hear
And to the rhythm of guitar
We hope you'll lend an ear
(...)
Well, the man who plays the bass does make
Those low notes that you hear
And the high notes come from you and me
For we will sing so clear

So, come all ye rolling minstrels
And together we will try
To rouse the spirit of the earth
And move the rolling sky»

Isto é que é Folk.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Folk Roots, New Routes


Decidi iniciar um blogue sobre música tradicional. Essencialmente será um blogue que não interessa a ninguém mas que servirá como motivação para eu aprofundar conhecimentos. Vou essencialmente falar sobre a música feita nos EUA, Grã-Bretanha e claro Portugal nos últimos 100 anos (para salvaguardar referências aos primórdios do Blues). Às vezes serão sobre coisas mais óbvias, outras serão sobre coisas mais obscuras.

O nome do blogue é o nome deste disco de 1964 da Shirley Collins e do Davy Graham, que fica como primeira referência/sugestão. E provavelmente é assim que o blogue será: um despejar de referências. Ainda assim, alguma coisa que suscite o vosso interesse enviem-me uma mensagem nos comentários/facebook/e-mail que eu disponibilizo. A frequência de posts dependerá do estado de espírito.